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Manhã azul e perfumada, batida de Sol.

Os pássaros cantavam no arvoredo lá no alto, muito no alto, como para se avizinhar mais do céu.

Nossas almas, elevando-se também, procuram o azul infinito dessa paragem de paz predestinada aos que amando a Deus, se esmeram na prática de todas as virtudes.

Pelo caminho pode contemplar a natureza, viridente e caprichosa dessa rica e encantadora paisagem, cujo mar de verdura e opulência de contrastes, o fazia pensar ainda mais em Deus.

De súbito, voltando-se para sua mãe disse: “Como tudo é lindo minha mãe, mas eu vou subindo ao calvário… Olha como é alto!” Percebendo, então, no semblante daquela que adorava, impressões de tristeza, mudou de conversa. Ao término da viagem observou: “Minha mãe, que terra é está?” Ela respondeu “Meu filho, é um lugar de ótimo clima; é uma estação de repouso para os que necessitam, quando sentem a saúde depauperada.

Aqui e acola, viam-se pessoas recostadas em cadeiras “preguiçosas”, descansando e aurindo o ar puríssimo desse rincão paulista, preciosa dádiva dos céus ao povo bom e predestinado. “Minha mãe, que faz toda essa gente? Não são vádios não é?” Sua mãe respondeu “São, como já disse, gente que descansa…” E Antoninho respondeu “Ah! Já sei… são doentes!”

Nessa ocasião o destino clínico de Campos, que o ouvia e apreciando-lhe a lonquacidade, sem saber ainda da gravidade de seu estado, disse “Muito bem meu menino, poucos dias serão suficientes.”

E voltando-se, em particular: “A senhora fala o pequeno descansar alguns dias e depois leve-o ao meu consultório.”
Antoninho, a quem essa conversa não passara desapercebida, interferiu: “Não adiante… tudo inútil… tudo perdido.”

Antoninho chegou bem disposto.
Encaminharam-se para a nova residência.
Recebidos pela proprietária, o menino, não podendo sopitar sua alegria ao ver pendente da parede, a entrada do prédio, o quadro do Sagrado Coração de Jesus, achegou-se mais à sua mãe e disse: “Minha mãe, estamos bem… veja quem veio nos receber.” A dona da casa não escutou, mas julgando que se tratava de pessoas indiferentes a religião falou: “Deixei o quadro, certa de que fosse católicos… mas… se quiserem, mandarei retirá-lo.”

O menino, adiantando-se, exclamou “Não senhora! Não retire nosso Jesus! Nós o amamos muito!”
Coitadinho, entristecia-se quando, ao entrar em qualquer casa, não via a imagem do Sagrado Coração de Jesus ou a estampa de qualquer santo.

Após catorze dias de absoluto repouso, encontrou-se Antoninho com o médico.
Este simpatizou-se logo de cara com o novo cliente.

Antoninho estava preparado para receber toda e qualquer palavra, embora esta lhe viesse ferir seus sentimentos mais delicados do amor filiar. A sentença que iria ouvir em linguagem dorida, mas sempre cruel e rude, em nada viria modificar sua já comprovada disposição para o sofrimento. Sabia quanto era idolatrado pelos seus queridos pais e por isso, observava-lhe os gestos.

Terminada a consulta, o inteligente clínico conversou particularmente com os pais do Antoninho que muito longe estavam de esperar uma triste decepção. Bem dizia um celebre pensador francês: “A dor de uma alma, somente ao criador é dado conhecer.” Antoninho, que não se distanciara, prestava atenção a tudo.

De repente, desaparece por alguns instantes.
Seu pai, não o vendo por perto, achou azado o momento para dirigir uma pergunta: “Doutor, o que achou do menino?”
O médico comovido, respondeu: “Coragem!, Nada há mais que fazer… seu filhinho está tuberculoso.”
Nesse ínterim, chega Antoninho, seu pai empalidece, mas ainda se anima a dizer “Será possível doutor?” E tomado de grande comoção, chora copiosamente, sentindo-se desfalecer. Durante horas seguidas, a dor retalhava-lhe desapiedadamente o coração. Pobre homem! Fugiam-lhe as idéias!

Em sua alma travava-se uma luta insana!
Seu coração talvez dissesse: que atroz padecimento, meu Deus! Está acima das minhas forças! Antoninho, abraçando-se ao querido progenitor, disse: “Não volto mais neste consultório. O médico fez meu papaizinho chorar…”

Jesus, que não os desamparava, veio em socorro do pobre pai desolado, trazendo-lhe o grande lenitivo à sua dor!

Foi por isso que aquela alma que tanto se mortificara pode exclamar: “Se voz apraz, Senhor, ver-me sob o peso desta cruz que tanto me aniquila, dai-me o alento, para que eu a sustenha com resignação! Confortai-me, senhor! Faça-se, assim, a vossa vontade, não a minha. Deste-me um anjo e eu vô-lo entregarei! Genuflexo curvo-me aos vossos imprescrustáveis e santos desígnios!”

Antoninho, avaliando o grande sacrifício que seus pais faziam por ele, pediu que escrevessem aos seus, em São Paulo, para que rezassem também pedindo ao Pai Celestial sua proteção.

O nosso singular doente tinha, além das crianças, mais dois grandes amigos: um carneiro e um cabrito.
Aquele, deu o nome de repouso, considerando ser Campos do Jordão um lugar destinado a dar descanso ao compro combalido. A este, chamava de caverna, como que para justificar que ele, Antoninho, já possuía cavernas nos pulmões. E, assim divertia-se com os seus companheiros de todos os dias.

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